Qual é o futuro do movimento sindical?, indaga Clemente Lúcio, do Dieese, em reunião da CTB

In Notícias

O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, foi o convidado desta manhã da 18ª reunião da Direção Nacional da CTB, no hotel Excelsior, em São Paulo.

Economista, especializado no movimento sindical, Lúcio fez um balanço das transformações no mundo do trabalho e enfatizou a necessidade do movimento sindical se reestruturar.

Em sua visão, realista para alguns e apocalíptica para outros, a nova lógica capitalista, com o sistema financeiro no comando, associada ao avanço tecnológico e às novas relações de trabalho exigem uma mudança drástica do paradigma sindical vigente hoje.

“Se isso não acontecer, os sindicatos ficarão para trás. É preciso um futuro disruptivo – que rompa com o padrão que construímos. Ou seremos nós os coveiros do sindicalismo?”, provocou.

Hoje existem no Brasil 25 milhões de trabalhadores e trabalhadoras sem proteção sindical e, com as mudanças da reforma trabalhista, diz Lúcio, esse número tende a crescer. “O sindicalismo terá de estar preparado para dar respostas a estes novos trabalhadores e seus novos contratos de trabalho”.

E é também por aí que passa a “reinvenção” do movimento sindical defendida pelo economista. “É preciso trazer os jovens trabalhadores ao movimento sindical e também investir em formação”, defende. “A luta é um grande espaço de aprendizagem. Um espaço de formação“.

Luta política

Ele destacou a necessidade de ampliar os espaços de poder na luta conjuntural que precisa ser feita. Lembrou que nossa representação no Congresso é baixa. “Essencial um trabalho de formação política com campanhas dizendo: votem em candidatos comprometidos com a luta da classe trabalhadora”.

Afinal, como ele bem afirmou, o congresso nacional foi quem aprovou as mudanças estruturais mas venais da história brasileira para os trabalhadores. “Nem os governos Collor, FHC, Lula e Dilma juntos conseguiram fazer alterações estruturais tão radicais como esse congresso fez em menos de dois anos”.

Depois de um diagnóstico tão amargo, o pesquisador lembrou que a adversidade do momento deverá servir ao avanço da luta em todas as instâncias de poder. “A história é testemunha de que os trabalhadores e trabalhadoras sempre souberam lutar quando o mundo enfrentava as suas mudanças mais dramáticas”.

E sabemos que foi assim que imprimiram na História as suas maiores conquistas. Mais um momento destes está batendo à nossa porta.

Portal CTB

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